segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Não durmo cedo. Pode chamar, ligar, aparecer na janela: eu vou estar de olhos bem abertos. Pode me convidar para andar, conversar, olhas as estrelas ou ficar em silêncio. Pode me questionar, tirar para dançar, ler uma poesia ou pedir um carinho. Sou do tipo que considera a noite muito mais bonita. Sou, entre tantos tipos, daqueles que pouco dormem e muito sonham. Eu tenho encantos eternos pelos mistérios da noite. E o escuro também me abre visões
Eu sou o teu plano B, talvez o C, o Z, quem sabe. “Tanto faz”. Sou meio que o fundo da panela, tua ultima opção. Quando ninguém mais conseguir, tu vem, me procura, me liga. “Tanto faz”. E a otária aqui te escuta, diz que vai ficar tudo bem, mas nem vai. Não é egoísmo. Você se entala com todos, e acaba ficando engasgado, depois, lá estou eu, dando um tapinha nas suas costas. Pedindo pra voltar, para recomeçarmos, pedindo por mais umas horas, das horas que te restam. Algum tempo livre, quem sabe. E você aceita, duas horas depois, preciso de você, mas, não podemos inverter as posições, não é? Meu dever é estar contigo quando todos te deixarem, e como recompensa, você me deixa. É aquele velho ditado, você pode fazer 99%, mas se não fizer os 100%, então, não fez porra nenhuma. E cansa, já é ruim ter que lidar com os teus problemas, dramas, e suas toneladas emocionais, aí depois vem as minhas toneladas, minhas tristezas. E eu acabo me lotando, inchando, nunca transbordo. Fico na mesma, carregando você nas costas, e tropeçando nas migalhas que você me deixa.
Faz pouco caso enquanto a minha barriga ainda gela no momento em que nossos olhares despercebidos se cruzam, finge que não liga para o carinho que eu expresso, para o valor que eu te dou. Isso, não se importa mesmo. Age assim enquanto a tua mão ainda é meu lugar de pouso, enquanto o meu coração ainda acelera quando a profundidade dos meus olhos procuram a frieza dos teus no meio de cem. Aproveita que meu corpo ainda fica trêmulo e as minhas pernas bambas só de saber que vou te ver. Aproveita que esse sentimento ainda pulsa e corre pelo meu corpo inteirinho, dos-pés-a-cabeça. Aproveita! Porque se eu sinto tudo isso com o meu amor, você não imagina o que eu posso sentir com a minha indiferença.
Acima de tudo, mais que felicidade, desejo a todos força. Porque felicidade a gente pode ter hoje, mas a certeza de que amanhã também teremos não. Essa ideia de felicidade vem do berço, vem da pergunta feita à mãe: O que você mais deseja a seu filho? Indiscutivelmente, que ele seja feliz. Mas eu, mais que feliz, quero ser forte. Forte para enfrentar os dias de felicidades, e os nem tão felizes assim.
Andava me sentindo uma estranha. Parecia que nada havia sido feito para mim, e eu não havia sido feita para nada. Eu era só mais uma, no meio de tantos que procuravam amor entre a dor.
Meu avô costumava dizer que amadurecemos com os danos, não com os anos.
O problema em sentir demais é achar que o outro, por não sentir tanto, não sente nada.
Sentir ausência não é sentir saudade. É muito diferente. Vê se aprende pra não sair por ai confundindo as coisas novamente.
Plantou flores no meu peito, mas foi embora sem regá-las.
Engraçado é que, o peito, quanto mais vazio, mais apertado fica.